Como Julgamos o que não Compreendemos - A Profundidade que Ninguém VÊ.
Quando Paramos de Ver Pessoas
Imagem criada por IA — autoria e direção criativa: Bruno Melos
Há pessoas que passam por nós como se fossem parte da calçada.
Como se fossem pedra.
Como se fossem ar.
Atravessamos vidas inteiras sem olhar para elas.
Não porque somos maus.
Mas porque aprendemos a enxergar apenas o que se encaixa no nosso mundo —
e tudo que não cabe, nós desviamos.
Mas ninguém nasce invisível.
Há quem pense que quem vive na rua sempre “esteve lá”.
Que foi escolha.
Erro.
Fracasso pessoal.
Mas quase nunca é assim.
Muitas das pessoas que hoje dormem no chão já tiveram casa.
Família.
Trabalho.
Rotina.
Agenda.
Planos.
A diferença é que, em algum ponto, algo quebrou.
E quando a vida se parte, nem sempre há alguém segurando do outro lado.
É fácil dizer “eu nunca chegaria ali”.
Mas quase tudo o que nos mantém de pé é delicado:
um relacionamento,
um salário,
uma saúde emocional estável,
uma rede de apoio.
Tire uma ou duas dessas peças —
não por culpa, mas por destino —
e o chão se abre.
E então?
Quem olha para você?
Quem te chama pelo nome?
Quem lembra que você existe?
Há uma dor maior do que perder tudo:
a dor de não ser mais visto.
Porque quando ninguém te olha,
você começa a esquecer que é alguém.
Não há sermão aqui.
Não há teoria.
Apenas uma pergunta que ecoa devagar:
Quantas pessoas você já deixou de reconhecer como pessoas?
Às vezes, a compaixão não é dar.
É ver.
Ver de verdade.
Sustentar um olhar que diz:
“Eu sei que você existe.”
Às vezes, isso é a única coisa entre alguém e o abismo.
E você já esteve do lado de lá, mesmo que por um instante.
Todos nós já estivemos.
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